C4SS – Hey, Google — Don’t Be Evil!/ C4SS – Ei, Google — Não Seja Perversa!

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Kevin Carson

19 de março de 2015

O website Antiwar.com (Antiguerra.com, nome autoexplanativo) anunciou, em 18 de março, que o Google Adsense havia suspendido sua conta — fonte importante da receita de que ele precisa para manter-se online — por ele ter publicado novas fotos de tortura e abuso da prisão militar de Abu Ghraib no Iraque (Eric Garris, “Google Disables All Ads on Antiwar.com,” [Google desativa todos os anúncios do Antiwar.com] 18 de março. A Google não ofereceu qualquer explicação além da alegação de que as fotos violavam suas políticas contra “violência” e “imagens perturbadoras.”

Conspicuamente ausente da notificação da empresa estava qualquer indicação de se o confisco era por determinação de qualquer terceiro (nas palavras de Garris, “É a Google agora braço do Departamento de Estado dos Estados Unidos?”). Isso porém dificilmente seria de surpreender, dado o histórico da Google de acedimento a exigências de censura de regimes repressores ao redor do mundo, e o modo servil pelo qual os serviços de pagamento e levantamento de recursos online coludiram com o governo dos Estados Unidos para suprimir o Wikileaks.

Certamente sabemos que o governo dos Estados Unidos não quer que as fotos fiquem publicamente disponíveis. O Presidente Obama argumentou contra a divulgação, dizendo que as fotos “inflamariam ainda mais o sentimento antiestadunidense” e dessarte colocariam em perigo a “segurança nacional” dos Estados Unidos.

Há uma cena ótima em episódio de Os Simpsons na qual Marge rompe com Artie Ziff como seu par em baile de formatura em reação aos avanços sexuais dele. Artie pede a ela para não falar a ninguém acerca do comportamento inadequado dele. Não por qualquer preocupação com sua própria reputação, esclarece ele — “mas acontece que sou tão respeitado, que a escola ficaria prejudicada se isso fosse divulgado.”

O argumento de Obama e de sua gente, resumidamente, é que seria ruim para a “segurança nacional” os povos do mundo descobrirem o quão terrivelmente perverso o fato realmente é, porque as pessoas poderiam ficar com raiva.

Sabem do que mais? As pessoas ao redor do mundo precisam ficar com raiva. E se a “segurança nacional” dos Estados Unidos significa a capacidade do país de lançar-se a guerras de agressão e de supervisar a pilhagem corporativa dos países derrotados ao redor do mundo, essa “segurança nacional” precisa ser solapada.

Obama deixou bastante claro que os Estados Unidos só podem ser constrangidos a partir de fora, de opinião pública inflamada doméstica e internacional e da não disposição de outros governos de cooperarem com eles. Ele se tem recusado a tornar qualquer pessoa responsável por tortura, desde os que administram diretamente waterboarding [afogamento controlado] e abuso sexual àqueles do mais alto nível nas Forças Armadas, na CIA e na Casa Branca que sabidamente autorizaram-nos. E ele se recusou com base em que isso — repetindo — “solapa a segurança nacional dos Estados Unidos.”

Assim, passa a caber a público estadunidense hostil sofrear estado fora de controle. E, em não acontecendo isso, precisamos incentivar as chamas da indignação até que todos os países do mundo com base militar ou naval dos Estados Unidos a fechem, juntamente com os postos da CIA em todas as embaixadas dos Estados Unidos do mundo.

Sabem quem realmente solapa a segurança nacional dos estadunidenses reais, comuns? O governo dos Estados Unidos. Praticamente todo movimento terrorista antiestadunidense do mundo  — Irmandade Muçulmana, Hamas, Al Qaeda Iraque, ISIS — ou foi originalmente financiado pelo governo dos Estados Unidos ou foi organizado em reação a guerras de agressão dos Estados Unidos no exterior. Enquanto for permitido ao governo dos Estados Unidos conduzir tais guerras ao redor do mundo, seremos os que pagaremos o preço delas.

No entretempo, a opinião inconfessa do governo dos Estados Unidos é a de que o público estadunidense é a real ameaça à “segurança nacional.” Eis porque nossa percepção do mundo tem de ser administrada pela censura e pela propaganda do estado.

É por isso que não se pode deixar que o que Google e outros serviços online fazem fique por isso mesmo. Em última análise isso mostra a necessidade de substitutos abertos, de p2p, para as plataformas da Google e de serviços de mídia social de todos os tipos, e de passarmos a usar serviços hospedados por servidores no estrangeiro, em países além do alcance do poder dos Estados Unidos.

No curto prazo, porém, precisamos tornar as coisas tão desagradáveis para a Google que ela considere a possibilidade de desafiar o governo dos Estados Unidos em vez de submeter-se a ele como caminho de menor resistência. Por favor telefonem para a Google em 650-253-0000 e digam a ela para reativar imediatamente a conta do Adsense do Antiwar.com

Traduções deste artigo:

Italiano, Sii Buona, Google!

Espanhol, ¡Hey Google, no seas malo!

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