Original: https://www.rt.com/news/606860-journalists-killed-reporting-gaza/
RT
2 Nov, 2024
A massacre within a massacre: How journalists reporting on Gaza deaths are being targeted
Massacre dentro de massacre: Como jornalistas que relatam as mortes em Gaza estão sendo visados como alvo
Mais de 160 profissionais de mídia já foram mortos e 60 foram detidos enquanto a destruição metódica da Faixa brutalizada continua
Eva Bartlett is a Canadian independent journalist. She has spent years on the ground covering conflict zones in the Middle East, especially in Syria and Palestine (where she lived for nearly four years).
FILE PHOTO. Al Jazeera cameraman Fadi al-Wahidi carried to Al Ahly Hospital for treatment after being injured in a gunfire during Israeli attacks on Jibaliya Camp, Gaza Strip on October 09, 2024. © Hamza Z. H. Qraiqea/Anadolu via Getty Images https://mf.b37mrtl.ru/files/2024.11/thumbnail/6724b6a585f540094055303b.jpg
Apesar de ter vivenciado duas guerras israelenses em Gaza, nunca imaginei as cenas horríveis que estão ocorrendo agora no norte de Gaza: Israel está exterminando a população em plena luz do dia, com transmissão para o mundo todo ver.
E ninguém está fazendo nada para impedir isso.
Israel vem sitiando o norte de Gaza há semanas, impedindo a entrada da maior parte da ajuda humanitária, colocando a população de 400.000 civis palestinos do norte, já faminta, em grave risco de inanição total. O parlamento israelense votou pela proibição da UNRWA, a agência das Nações Unidas para ajuda humanitária, que vinha sendo a única tábua de salvação para muitos palestinos.
As forças israelenses também bombardearam estações de tratamento de água e poços, além de cortar a comunicação com o mundo exterior, privando as pessoas de acesso à água e deixando-as encurraladas e isoladas.
De acordo com o Euro-Med Monitor, nas últimas duas semanas 500 palestinos foram confirmados como mortos no norte de Gaza, “e outros milhares ficaram feridos. Muitos continuam unaccounted for*, ou nas ruas ou sepultados nos escombros”.
*unaccounted for – Expressão usada para dizer que não se sabe o que aconteceu com alguém ou algo. ‘Muitas pessoas ficaram unaccounted for após o desastre.’ ‘Grande quantia de dinheiro permanece unaccounted for.’ Merriam-Webster
Como fizeram em outras partes da Faixa de Gaza durante mais de um ano de genocídio, as forças israelenses estão atacando hospitais no norte da Faixa de Gaza. A Euro-Med informou que “as forças do exército israelense cercaram o Hospital Indonésio na cidade de Beit Lahia, no norte da Faixa de Gaza. Dispararam dois projéteis de artilharia contra o hospital, cortaram a eletricidade e visaram como alvo qualquer pessoa que se deslocasse na área”.
O exército está atirando em médicos e outros socorristas, como fez durante todo o período de 2023-2024, e como fez em 2009, quando os médicos que estavam comigo foram atacados por franco-atiradores israelenses, e outro médico que eu conhecia foi morto por bomba flechette* (dardo). Ao matar socorristas e destruir hospitais Israel assegura que palestinos mutilados fiquem sem atendimento médico e provavelmente morram.
*flechette (dart) bomb – https://pt.wikipedia.org/wiki/Flechette
Isso é, obviamente, ilegal de acordo com as leis internacionais. Todavia, como as ações genocidas de Israel mostraram ao mundo, o governo, o exército e os colonos israelenses acreditam que as leis não se aplicam a eles. Vejam vídeo horrível* de drone israelense mirando com precisão criança palestina, matando-a, e depois bombardeando os civis que correram para tentar resgatá-la. É o que acontece com o exército israelense. Se o perpetrador fosse um dos inimigos dos Estados Unidos, haveria pedidos de zonas de exclusão aérea, sanções e clamor da mídia corporativa 24 horas por dia, 7 dias por semana.**
*O link não funcionou para mim. Achei isto em busca na internet: https://www.youtube.com/watch?v=nMOttOSzQ1c&rco=1 N. do T.
**Ah se fossem os russos. De qualquer maneira, não duvido de que, a certa altura, eles os russos sejam responsabilizados pelo Ocidente pelo que está acontecendo em Gaza. Ou os chineses. N. do T.
Não satisfeito em simplesmente assassinar civis palestinos por meio de bombardeios, tiros de franco-atiradores e inanição, o exército israelense tem, segundo se noticia, espraiado robôs com explosivos e deixado barris booby trapped* para serem detonados por controle remoto.
*booby trapped barrels – Barris boobytrapeados. Booby trap é bomba escondida que explode quando o objeto conexo com ela é tocado, movido, etc. ‘Alguém havia armado booby trap que fez o carro explodir quando o motor foi ligado.’ The Britannica Dictionary / Noto que, conforme o texto, a explosão não seria diretamente por contato ou movimento, e sim por controle remoto. N. do T.
As cenas que os jornalistas conseguiram publicar são surreais, como ficção científica, com quadricópteros policiando as ruas. Há uma semana amigo disse-me em mensagem que tinha de escolher entre passar fome e correr o risco de ser morto a tiros por soldados israelenses ou quadricópteros se tentasse comprar pão.
Há alguns dias ele me enviou mensagem às 4 da manhã: Tanques israelenses estavam do lado de fora de sua casa, e o áudio que ele enviou era aterrorizante. Ele preferiu ficar em sua casa a passar por outra Nakba.
Não sei se ele está vivo a esta altura.
Guerra a jornalistas
No início deste mês o cinegrafista palestino Fadi al-Wahidi foi atingido no pescoço por quadricóptero israelense, ficando paralisado/paralítico. Fora a Al Jazeera, para a qual Fadi trabalhava, a maioria das organizações ocidentais de mídia e de defesa de direitos de jornalistas está, não surpreendentemente, em silêncio.
A organização Repórteres Sem Fronteiras, a respeito da qual já escrevi por causa de ela minimizar o número de jornalistas palestinos mortos por Israel, nada registra a respeito de Fadi. A Comissão de Proteção de Jornalistas (CJP), pelo menos, registra. Seu verbete observa:
“Al Wahidi foi gravemente ferido no pescoço por bala disparada de avião de reconhecimento israelense enquanto Al Wahidi e o correspondente Anas Al-Sharif cobriam o cerco israelense ao campo de refugiados de Jabalia, no norte de Gaza. Os dois homens estavam usando coletes de “Press” {Imprensa} e eram claramente identificáveis como jornalistas.”
Anas al-Sharif – que continua a fazer corajosamente reportagens a partir do norte de Gaza – disse à CJP que eles estavam em área “completamente distante das áreas de operações das forças de ocupação israelenses ” e cheia de moradores quando “drone de reconhecimento israelense disparou contra nós. Depois dos disparos tentamos mudar-nos para outro lugar mais seguro e esconder-nos de qualquer perigo, mas bala oriunda do avião atingiu nosso colega Fadi Al-Wahidi no pescoço, o que o deixou completamente paralisado”.
Em seguida Wahidi entrou em coma. Seus colegas e amigos estão implorando por algum tipo de intervenção internacional que permita que ele seja levado ao exterior para receber cuidados médicos, para que sua vida possa ser salva.
O Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA*) informou, citando o Sindicato de Jornalistas Palestinos(PJS), que entre 7 de outubro de 2023 e 10 de outubro de 2024 168 jornalistas palestinos e funcionários da área de mídia foram mortos na Faixa de Gaza, inclusive 17 mulheres; 360 ficaram feridos e 60 foram detidos.
*OCHA – https://www.unocha.org/
A campanha de extermínio continua
É absolutamente devastador ver cada dia passar com novas atualizações alarmantes de notícias oriundas do norte de Gaza ou relativas ao local. Assim como Anas al-Sharif, o jornalista palestino Hossam Shabat relata corajosamente cenas apocalípticas de bombardeios israelenses no norte de Gaza.
Em recente atualização ao vivo no X ele disse:
“Estamos testemunhando genocídio e limpeza étnica no norte de Gaza, especificamente em Jabalia, que está sob cerco de todas as direções. As forças de ocupação israelenses estão bombardeando civis desalojados, detendo-os, e tentando limpá-los etnicamente. Estão atacando abrigos para civis desalojados, e os corpos estão espalhados por toda parte no norte, ao longo das estradas. Milhares de civis estão sendo desalojados à força (etnicamente limpos) a partir do norte”.
Entrementes, em irrupção de gestos teatrais inócuos, o Secretário de Estado dos Estados Unidos – US Antony Blinken e o dirigente do Pentágono Lloyd Austin “exigiram que Tel Aviv melhorasse a situação humanitária em Gaza dentro de 30 dias ou correria o risco de perder a ajuda militar dos US e enfrentar possível ação legal ” .
Todavia claramente o maior apoiador de Israel está dizendo disparates: não haverá corte na ajuda militar, não haverá ação legal, os US nunca tomarão posição para forçar Israel a cessar o massacre em Gaza. Na verdade, dar a Israel um mês antes de qualquer suposta consequência adversa é, na minha opinião, dar a Israel sinal verde para limpar etnicamente o norte de Gaza o mais rápido possível.
Israel parece decidido a implementar o projeto ‘Five Fingers’ {Cinco Dedos} do ex-Primeiro-Ministro Ariel Sharon, que previa dividir Gaza em segmentos, todos sob controle da segurança israelense. Se essa for a intenção de Israel, veremos as mesmas cenas sangrentas do norte de Gaza repetidas quarteirão a quarteirão por Israel em todo o resto da já brutalizada Faixa.
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