RT – Neglect, abuse, harassment: The West is ignoring the fate of Palestinians stuck in Israeli jails

Original: https://www.rt.com/news/596620-palestinian-prisoners-israel-jails/

RT

27 Apr, 2024

Neglect, abuse, harassment: The West is ignoring the fate of Palestinians stuck in Israeli jails

Negligência, abuso, assédio: O Ocidente está ignorando o destino dos palestinos presos nas cadeias israelenses

Detentos libertados falam de abusos e de detenção por tempo indeterminado, mas é improvável que suas agruras recebam muita atenção no Ocidente

Eva Bartlett is a Canadian independent journalist. She has spent years on the ground covering conflict zones in the Middle East, especially in Syria and Palestine (where she lived for nearly four years).

A Palestinian flag on the fence of Israel’s Ofer prison near the city of Ramallah in the occupied West Bank © ABBAS MOMANI / AFP https://mf.b37mrtl.ru/files/2024.04/thumbnail/662d4b7185f54079f17cbd28.jpg

Há mais de seis meses o mundo vem assistindo à devastadora campanha israelense contra os palestinos em Gaza, que já matou mais de 34.000 pessoas até o momento (inclusive mais de 16.000 crianças).

Poucas pessoas ouvem falar, contudo, acerca de quase 10.000 palestinos mantidos em prisões israelenses, muitos dos quais presos repetidamente e mantidos por períodos prolongados e de duração indefinida. Entre eles crianças, estudantes universitários, médicos e jornalistas, para não falar dos demais.

Embora esses números tenham aumentado drasticamente em pouco mais de meio ano, a cobertura da mídia é escassa, com exceção de algumas matérias acerca de Layan Nasir, uma dentre os estudantes universitários cristãos presos de novo no início deste mês. Ela foi levada por soldados israelenses da casa de sua família no início da manhã, com seus pais sob a mira de arma. Não se trata porém de fenômeno isolado; ela é apenas uma entre os muitos estudantes palestinos sequestrados de forma semelhante, a pretexto de segurança, por participarem de ativismo no campus.

Em 7 de abril a Comissão Palestina de Assuntos de Detentos e Ex-Detentos condenou os últimos sequestros de Layan Kayed e Layan Naser, duas jovens que já haviam sido visadas presas, juntamente com muitas outras pessoas.

Justificativa de encarceramento infindável

A questão mais importante é que, até 17 de abril, que é o Dia dos Prisioneiros Palestinos, mais de 9.500 palestinos estavam detidos em prisões israelenses – cerca de um terço deles está preso sob o que é chamado de detenção administrativa – procedimento que permite que os militares israelenses prendam pessoas com base em provas secretas*, por tempo indefinido e sem julgamento. Ele é justificado pelas leis de Poderes de Emergência de Israel, sob o constante estado de emergência em que o país se encontra desde 1948.

Cerca de 3.000 palestinos de Gaza foram detidos por Israel desde o início da atual guerra em Gaza, em outubro do ano passado – número revelado por investigação da ONG palestina Al Mezan Center for Human Rights. De acordo com a Al Mezan, incluem-se aí “mulheres, crianças, idosos, bem como profissionais como médicos, enfermeiros, professores e jornalistas.”

Dos cerca de 3.000 detidos, 1.650 habitantes de Gaza são mantidos presos nos termos da Lei de Combatentes Ilegais – lei semelhante à detenção administrativa, mas específica para os palestinos de Gaza. Estão da mesma forma presos sem acusação ou representação legal, suspeitos de serem “combatentes ilegais”. São, observa a Al Mezan,  “mantidos em total isolamento do mundo exterior” e “não recebem o status de prisioneiros de guerra de acordo com a Terceira Convenção de Genebra, nem as proteções de detidos civis de acordo com a Quarta Convenção de Genebra”.” Outros 300 (inclusive dez crianças) não atualmente detidos nos termos da Lei de Combatentes Ilegais estão presos aguardando investigação.

Enquanto isso, na Cisjordânia, de acordo com a Comissão de Assuntos de Detentos, até 16 de abril 8.270 palestinos foram detidos, inclusive 275 mulheres, 520 crianças, 66 jornalistas (45 continuam presos, 23 dos quais em detenção administrativa).

Desses, 80 mulheres (não incluídas as mulheres de Gaza) e mais de 200 menores estão presos. O número total de detidos sob detenção administrativa é de mais de 3.660, inclusive mais de 40 crianças.

Desde 7 de outubro do ano passado 16 prisioneiros palestinos da Cisjordânia morreram em prisões israelenses por causa de “medidas sistemáticas de tortura, crimes médicos, política de fome e muitas outras violações e agressões conduzidas/praticadas contra detentos do sexo masculino e feminino, menores e idosos”, de acordo com relatório da ONG Sociedade dos Prisioneiros Palestinos.

O jornal israelense Haaretz relata que 27 palestinos de Gaza morreram desde 7 de outubro: “Os detentos morreram nas instalações Sde Teiman e Anatot ou durante interrogatório em território israelense.” O mesmo artigo faz referência a relatório da UNRWA publicado pelo The New York Times recentemente, que afirma que os detentos libertados em Gaza revelaram em depoimentos que foram espancados, roubados, despidos e agredidos sexualmente, e tiveram negado acesso a médicos e advogados.

Guantánamos israelenses

Relatos de tortura de palestinos encarcerados (inclusive crianças) vieram sendo publicados ao longo dos anos, com mais surgindo nos últimos meses. O grupo israelense de direitos humanos B’Tselem observa que “Todos os anos Israel prende e detém centenas de menores palestinos, violando de forma rotineira e sistemática seus direitos: durante a detenção [e] no interrogatório.”

Em março o diretor executivo da Comissão Pública Contra a Tortura em Israel (PCATI)  expressou extrema preocupação, afirmando que os quase 10.000 palestinos presos são “aumento de 200% em relação a qualquer ano normal” e que, desde outubro passado, pelo menos 27 palestinos morreram em campos de prisioneiros israelenses dentro de Gaza. Entre os prisioneiros estão crianças e idosos, inclusive avó de 82 anos anos de idade.

Os campos de detenção, pelo que vi em janeiro de 2009 em Gaza, são grandes áreas demolidas, sem tendas ou abrigo. Ex-prisioneiros os descrevem como “jaulas a céu aberto”, onde os prisioneiros são “algemados e vendados 24 horas por dia”.

Há numerosos novos depoimentos de palestinos maltratados em detenção israelense. Os exemplos incluem idoso do sul de Gaza que teria sido torturado de tal forma que sua perna infeccionou e, após sete dias de negligência médica, teve de ser amputada. Outro homem de 60 anos teria sido mantido preso por mais de 50 dias e espancado severamente durante aquele período. Grupos de direitos humanos continuam a documentar esses relatos e a manifestarem-se.

Já em fevereiro organizações como Adalah, HaMoked, Médicos pelos Direitos Humanos em Israel e Comissão Pública Contra a Tortura em Israel enviaram apelo ao Relator Especial da ONU (SR) referente a tortura e outras formas de tratamento ou punição cruel, desumana ou degradante, “instando o relator especial a tomar medidas imediatas para acabar com o abuso sistemático, a tortura e os maus-tratos de prisioneiros e detentos palestinos em prisões e instalações de detenção israelenses.”

Al Mezan relata ter visitado 40 palestinos detidos nas prisões de Ashkelon e Ofer, cujos depoimentos incluem espancamento brutal e inanição deliberada como forma de tortura e punição coletiva. Jovem de 19 anos disse à Al Mezan que “três de suas unhas foram removidas com alicate durante o interrogatório” e que ele foi “algemado e amarrado em stress positions* por longos períodos – três vezes em três dias de interrogatório.”

A Al Mezan relata que todos os detentos “sofrem de emaciação aguda, fadiga e curvatura nas costas pelo fato de serem forçados a curvar as costas e a cabeça enquanto caminham”, e que o advogado da ONG que conversou com aqueles prisioneiros afirmou que nunca havia visto condições tão ruins na prisão em 20 anos de trabalho com detentos.

Mais recentemente, o Haaretz descreveu o tratamento de palestinos por médico em hospital de campanha em Israel e as condições horrorosas: “Apenas nesta semana dois prisioneiros tiveram suas pernas amputadas por causa de ferimentos causados por algemas, o que infelizmente é evento rotineiro.” De acordo com ele todos os pacientes têm os quatro membros algemados e são vendados e alimentados por um canudo, o que significa que até mesmo pacientes jovens e saudáveis perdem peso após uma ou duas semanas de hospitalização.

Agora comparemos essa situação com os casos em que relatos ou alegações semelhantes vêm de estado visado por Washington com intenção de mudança de regime, ou declarado como “estado vilão/bandido” ou “estado desafeto.” Nesses casos, as alegações são frequentemente taken at face value*, extrapolated**, amplificadas e amplamente divulgadas. Por exemplo, em 2017 a mídia do Ocidente agarrou-se a alegações de “matadouro” na cidade de Saydnaya, na Síria, com supostos “enforcamentos em massa” pelo governo sírio. Essas acusações foram endossadas sem crítica pela mídia tradicional, apesar de exibirem numerosas falácias e não terem sido baseadas em fontes primárias.

Como observado à época, a Anistia Internacional admite que, como não existem fotos, vídeos ou depoimentos concretos referentes à Prisão de Saydnaya, ela foi forçada a criar “formas próprias com modelos 3D interativos e tecnologia digital, animações e software de áudio” e entrou em contato com ONGs sediadas no Ocidente que apoiavam os esforços para derrubar o governo sírio para elaborar seu relatório, que ganhou força na mídia porque apoiava a narrativa da OTAN acerca da Síria.

Já quando se trata de prisioneiros palestinos e suas denúncias de tortura, fome e negação de cuidados médicos urgentes durante detenção ou prisão israelense, esse nível de esforço e cobertura da mídia não é visto em lugar algum – provavelmente por causa da inconveniência política que isso causaria a Washington e seus aliados.

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