RT – Western media continues to ignore Ukraine’s public ‘kill list’ aimed at those who question the Kiev regime

Original article: https://www.rt.com/russia/562521-mirotvorets-list-ukrainian-extremists/

RT

10 Sep, 2022

Western media continues to ignore Ukraine’s public ‘kill list’ aimed at those who question the Kiev regime

A mídia ocidental continua a ignorar a ‘lista de marcados para morrer(*)’ pública da Ucrânia com os nomes de pessoas que questionam o regime de Kiev

(*) kill list – Lista de pessoas que força militar, serviço de segurança, pessoa etc. pretende matar. Cambridge / Hit list é lista de pessoas, organizações etc. ao qual pessoa ou grupo planeja opor-se ou que planeja eliminar. ‘A hit list do assassino.’ ‘Gastos excessivos estão no topo da hit list do governador. [=são a primeira coisa que o governador planeja eliminar] The Britannica Dictionary

A lista do Mirotvorets é assunto cada vez mais presente na mídia independente e da Rússia, mas não na imprensa internacional convencional

Eva Bartlett is a Canadian independent journalist. She has spent years on the ground covering conflict zones in the Middle East, especially in Syria and Palestine (where she lived for nearly four years).

Image: © Getty Images / South_agency

Esta semana diversos jornalistas internacionais e russos reuniram-se em Moscou – e outros mais juntaram-se por link de vídeo – para discutir a agora mal-afamada “kill list” do Mirotvorets. Muitos deles já estavam incluídos nela.

Embora algumas pessoas não levem o assunto a sério, o pavoroso assassínio por carro-bomba de Darya Dugina em 20 de agosto e o subsequente registro do verbete dela no Mirotvorets como “liquidada” deixa bastante claro que as pessoas por trás da lista com efeito querem ver pessoas mortas.

A mesma coisa aconteceu com o verbete do fotojornalista russo Andrei Stenin e os de muitos outros listados e subsequentemente mortos, inclusive o italiano Andrea Rocchelli. 

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Qual é a sensação de estar na lista

A dirigente da Foundation to Battle Injustice {Fundação de Combate à Injustiça}, Mira Terada, que convocou o painel, observou que, dos milhares de nomes incluídos no site, 341 são de jornalistas e, verdadeiro escândalo, 327 são de menores de idade.

“Publicar dados pessoais de menores é crime. É como cardápio para pedófilos ou pessoas que se dedicam a tráfico de seres humanos.”

Embora a preocupação dela seja com crianças, jornalistas, ativistas, figuras políticas e até mesmo ucranianos comuns que de algum modo tenham irritado o regime de Kiev e as pessoas que estão por trás da lista, Terada agora precisará ser um tanto cautelosa já que ela própria vem de ser acrescentada à database(*)/base de dados/ao banco de dados.

(*) database – Coleção de informações organizadas e usadas em computador. ‘Todas as informações a respeito de nossos clientes são mantidas em database.’ Britannica

Uma hora e meia depois de coletiva de imprensa em 21 de junho acerca de crianças serem incluídas no Mirotvorets Mira flagrou-se ela própria listada. “Isso mudou minha vida. Tenho de estar vigilante 24/7”, {vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana} disse ela.

Christelle Néant, correspondente de guerra francesa que vem informando a partir da Donbass(*) nos últimos seis anos e meio mencionou para mim, antes de o painel começar, que parte das informações do site não é divulgada para o público em geral e é bloqueada por senha.

(*) Donbas, Donets Basin {bacia do rio Donets}, ucraniano Donetskyy Baseyn, russo Donetsky Basseyn, é grande região mineira e industrial do sudeste europeu, notável por suas consideráveis reservas de carvão mineral. https://www.britannica.com/place/Donbas

Néant, que diz vir recebendo ameaças de morte há anos, falou de como esse fato a afeta: “Toda vez que uso meu carro olho debaixo dele à procura de alguma surpresa desagradável,” referindo-se a possível carro-bomba. “Não publico nenhuma foto com pessoas com quem vivo ou a quem ame. Tenho de estar vigilante o tempo todo.”

“Não sou terrorista, não sou criminosa, sou apenas uma correspondente. Essa lista precisa ser encerrada e todos os envolvidos precisam ser responsabilizados(*).”

(*) must be held accountable – Precisam ser held accountable. Held accountable é o passado de hold accountable. Pessoa é accountable quando dela é requerido ser responsável por algo. ‘Se alguma coisa sair errada considerarei você pessoalmente accountable.’ O interessante aqui é o verbo to hold, que tantas vezes significa segurar: ‘Ela mostrou a ele a maneira correta de hold a raquete de tênis.’ No caso, porém, significa, em uso até certo ponto formal, considerar ou julgar alguém ou algo de determinada maneira. ‘Eles hold me responsável.’ ‘Ele deveria ser held responsável pelas ações que pratica.’ ‘O último livro dele é geralmente held o melhor que já escreveu.’ Britannica / ‘Nós hold estas verdades como sendo evidentes: que todos os homens foram criados iguais e que foram dotados por seu Criador de certos Direitos inalienáveis, entre os quais contam-se a Vida, a Liberdade e a procura da Felicidade.’ {Declaração da Independência dos Estados Unidos} https://www.archives.gov/founding-docs/declaration-transcript N. do T.

O jornalista alemão Thomas Röper corretamente observou que os veículos de mídia do Ocidente preferem olhar para o outro lado/fazer vista grossa. “Poderiam ter noticiado a respeito, mas não estão dizendo nada.”

Destacou também o silêncio do governo alemão, mesmo quando indagado a respeito em coletivas de imprensa.

“Qualquer estado tem o dever de proteger seus cidadãos, mas ainda não vi nada oriundo de meu governo no sentido de condenar o fato de alemães estarem naquela lista e de um cidadão de nacionalidade alemã ter sido morto.”

E, na verdade, em vez de proteger jornalistas alemães, o governo os está perseguindo, como no caso de Alina Lipp, cuja conta bancária, e a da mãe dela, foram fechadas depois que o governo alemão abriu processo criminal contra ela pela reportagem dela a partir da Donbass.

A jornalista russa Veronika Naydenova, originalmente da Crimeia mas residente na Alemanha, foi acrescentada à lista em janeiro, também depois de suscitar o assunto da inclusão de crianças na lista, inclusive Faina Savenkova, de 13 anos, da República do Povo de Lugansk(*).

(*) Lembra-me um conhecido com quem nos relacionávamos muito bem – ele era de simpatia e humildade contagiantes e inesquecíveis – e que era delegado de polícia nos idos dos anos revolucionários de 1960. Ele contou que no curso de uma investigação numa cidade do interior de São Paulo conversou, por mero acaso, fora do âmbito da investigação, com um deputado que se encontrava na cidade e perguntou que causas ele defendia. O deputado, visivelmente temeroso de dizer algo que o comprometesse por destoar da doutrina revolucionária (sabendo que o interlocutor era delegado), negava tudo. O senhor defende maior distribuição da riqueza? Não, nem pensar. O senhor defende melhora da situação do trabalhador? Nem em sonho. Depois de várias perguntas o delegado, divertindo-se com a inquietação do deputado, perguntou: Mas afinal, o que é que o senhor defende? Ao que ele respondeu: “Eu sou pela criança. Eu defendo a criança, em qualquer circunstância.” Fico pensando que hoje em dia, como se vê pelo parágrafo acima, o deputado teria de ser mais cauteloso. Hoje em dia é arriscado até defender a criança. N. do T.

“No mesmo dia em que meu artigo foi publicado fui acrescentada à lista. Isso porém não me deteve, escrevi já muitos artigos desde então.”

Ela destacou ameaça adicional muito real: a dos refugiados que vieram da Ucrânia para a Alemanha; não há como saber quem é apenas refugiado e quem mantém pontos de vista extremistas nacionalistas ucranianos. Esse é temor muito real para Naydenova, cujo endereço está listado no Mirotvorets.

A jornalista holandesa Sonja van den Ende também teme voltar para seu país. “Estou rotulada como ‘inimiga do estado’ agora na Holanda. Não posso voltar, é muito perigoso para mim fazê-lo.”

Janus Putkonen, jornalista finlandês que mora na Donbass desde 2015, destaca como o risco estende-se globalmente.

“Como a kill list do Mirotvorets não foi removida, pessoas em todo o mundo estão agora em perigo de tombar vítimas do terrorismo de estado do nazismo ucraniano, só comparável ao terrorismo do ISIS.”

Contudo, ela ameaça, acima de tudo, ucranianos dentro da Ucrânia, algo que o jornalista britânico Johnny Miller enfatizou.

“Se você for jornalista, blogueiro, figura política ou cidadão, na Ucrânia, que deseje criticar o extremismo na Ucrânia, e há muito desse extremismo, ou se desejar criticar políticas do governo ucraniano, muito provavelmente você será colocado naquela lista. E sob séria ameaça de morte.”

Miller, que tem estado a informar a partir de áreas do oeste da Ucrânia, suscitou outro ponto importante:

“Há muita gente na Ucrânia que deseja pressionar por negociações de paz com a Rússia. Se porém qualquer pessoa na sociedade ucraniana dispuser-se a firmar pé e forçar essa linha, muito provavelmente será incluída na lista. O Mirotvorets é muito o símbolo dos elementos extremistas na Ucrânia no momento.” 

Quanto a mim própria, estou na lista desde 2019, depois de ter ido à Crimeia e de ter informado a partir de áreas da República do Povo de Donetsk – DPR onde civis eram aterrorizados por artilharia ucraniana, e casas eram destruídas “rua por rua”, nas palavras de residente local. 

Mídia cúmplice

Por diversas razões não tenho estado em minha terra natal, o Canadá, desde fevereiro de 2020 e, a esta altura, não sei que destino estaria diante de mim se voltasse. 

Ottawa apoia incondicionalmente o regime de Kiev, inclusive sua guerra aos civis da Donbass, ao qual vem ajudando mediante envio de dinheiro e armas para a Ucrânia desde anos antes do início da operação militar da Rússia em fevereiro. 

O Canadá já gastou quase um bilião de dólares para treinar forças ucranianas desde 2014, inclusive combtentes neonazistas do Azov.

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Além disso, porém, o governo canadense sabe da existência do Mirotvorets. A estatal canadense Canadian Broadcasting Corporation (CBC)(*) em julho publicou artigo difamatório a meu respeito, usando informações aparentemente coletadas do verbete referente a mim no Mirotvorets, embora não mencione a kill list pelo nome.

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(*) https://es.wikipedia.org/wiki/CBC/Radio-Canada

Por que acho que a CBC estava ciente da existência do verbete a meu respeito na kill list? O produtor/a produtora deles mandou-me por email pedindo entrevista (que não concedi) mencionando minha participação, em abril, em painel sediado em Moscou a respeito de crimes de guerra da Ucrânia. Exceto que não foi em abril, foi em 11 de março. A única outra fonte dizendo que minha participação havia ocorrido em abril foi, vocês adivinharam, o Mirotvorets.

Obviamente não houve condenação ou apelo pelo fechamento do Mirotvorets (a respeito do qual anteriormente veículos de mídia canadenses haviam-me entrevistado e subsequentemente entrado em contato com a CBC a respeito). Em vez disso, tentaram spin(*) minhas múltiplas reportagens acerca de crimes de guerra da Ucrânia na Donbass como forma de difamarem-me como propagandista da Rússia.

(*) spin – Descrever (algo, tal como algum evento) de certa maneira para influenciar o que as pessoas pensem a respeito. ‘Ambos os partidos tentaram spin o debate como vitória do próprio candidato.’ ‘Ele acusou as empresas de spinning os resultados dos estudos de modo a beneficiarem-se.’ Britannica

E agora a CBC vem de chamar a atenção dos Nacionalistas Ucranianos do Canadá para meu nome, quando se não fosse isso eles poderiam não ter sabido a meu respeito, e bem assim dos canadenses que foram lutar na Ucrânia, tornaram-se radicalizados e doutrinados, e poderiam cometer crimes no estilo
Azov contra jornalistas como eu que têm estado a informar a partir do outro lado.

Os jornalistas já têm motivos suficientes para temerem ser selecionados para alvo – um exemplo é o fogo de artilharia de 4 de agosto das forças de Kiev contra hotel no qual se encontravam múltiplos jornalistas, inclusive eu. Não há prova conclusiva de que o hotel e os jornalistas eram os alvos pretendidos mas, dado tudo o que mencionei acima, é algo que certamente se situa no campo da possibilidade.

Database terrorista

Depois do painel bati um papo com Néant, que disse ter estado a apelar para organizações internacionais a respeito do Mirotvorets há anos.

“Já escrevi para organizações tais como OSCE(*), Anistia etc. Nenhuma delas respondeu, mesmo quando mostrei que há crianças na lista.” Tudo o que ela obteve foi confirmação automática/automatizada de recebimento.

(*)https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_para_a_Seguran%C3%A7a_e_Coopera%C3%A7%C3%A3o_na_Europa

Durante a fase de Q&A {perguntas e respostas} depois do painel homem estadunidense da plateia sugeriu que a Rússia tivesse sua própria “hit force(*)” going out(**) and/para fazer a mesma coisa em relação ao lado ucraniano.

(*) hit force – Força de hit. Hit é o assassínio planejado de alguém perpetrado por assassino pago. ‘Houve tentativa de hit do chefe da quadrilha.’ A pessoa que é paga para efetuar o hit é chamado de hit man. ‘Ela contratou um hit man para matar o ex-marido.’ ‘Hit men da Máfia.’ {men é o plural de man} Britannica

(**) going out – To go out significa fazer esforço deliberado para fazer algo. ‘Será ocasião esplêndida e eles deveriam go out and/para aproveitá-la.’ Collins / ‘And’ é usado após certos verbos como go, come, try, write, etc., para indicar o propósito de uma ação. ‘Por que você não go and see her? [=vai lá para encontrar-se com ela?] ‘I’ll try and do it. [=Tentarei fazê-lo] ‘Prometa que você will write and tell me [=escreverá para contar-me] como estão indo suas férias.’ Britannica

Em resposta, Johnny Miller observou:

“Quando conto a pessoas aqui no Reino Unido – UK acerca dessa kill list, uma das primeiras coisas que as pessoas respondem a mim é,

‘Bom, estou certo de que a Rússia tem lista semelhante.’ E tenho de explicar a elas que não, a Rússia não tem lista publicada na internet com os nomes e os endereços residenciais de jornalistas e crianças para promoção de seu assassínio. Essa é a diferença entre governo civilizado e extremismo e barbárie.”

De acordo com Mira Terada, a fundação dela transferiu documentos e evidência coletada para o Serviço Federal de Segurança da Rússia e está pedindo àquele serviço para reconhecer o Mirotvorets como organização terrorista.

O ex-Marine(*) e inspetor de armas das Nações Unidas – UN Scott Ritter analogamente descreveu o Mirotvorets como “instrumento de terror” que “deveria ser retirado por insistência do Governo dos Estados Unidos – US.”

(*) Marine – Membro do Marine Corps, a parte da instituição militar dos Estados Unidos integrada por soldados que atuam no mar e também em terra. Britannica

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Notem a ironia: Somos listados como terroristas por causa do trabalho que empreendemos para colocar em destaque o sofrimento de civis sob o real terrorismo do regime de Kiev.

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