FFF – The Roots of U.S. Hatred Toward Iran

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The Future of Freedom Foundation

As Raízes do Ódio dos Estados Unidos Ao Irã

by Jacob G. Hornberger

January 7, 2020

Pergunta que naturalmente aflora mas ninguém na mainstream press(*) formula é: Qual é o motivo do ódio profundamente entranhado do estado de segurança nacional dos Estados Unidos – U.S. ao Irã?

(*) mainstream press – Imprensa mainstream. Mainstream é aquilo que representa as atitudes, valores e práticas prevalecentes de sociedade ou grupo. ‘A moralidade mainstream.’ Heritage

Não, a resposta não começa com o fato de os revolucionários iranianos terem feito diplomatas estadunidenses reféns durante a revolução iraniana de 1979, que é o que a mainstream press amiúde afirma. O ódio dos U.S. ao Irã vem de mais longe.

Na verdade, para entender o ódio que Pentágono, CIA e Agência de Segurança Nacional – NSA têm do Irã é, na verdade, preciso remontar à fundação dos Estados Unidos.

Quando os delegados encontraram-se na Convenção da Constituição, seu propósito era modificar os Artigos da Confederação, espécie de sistema de governo sob a qual os estadunidenses haviam atuado durante 13 anos. De acordo com tais Artigos, os poderes do governo federal eram tão débeis que ele não tinha sequer o poder de tributar.

E era assim que nossos antepassados estadunidenses queriam as coisas. A última coisa que eles queriam era tipo de sistema governamental no qual o governo federal brandisse os mesmos tipos de poderes onipotentes do governo contra o qual eles se haviam rebelado em 1776.

República de governo limitado

Em vez, contudo, de simplesmente modificar os Artigos da Confederação, a Convenção Constitucional propôs tipo diferente de sistema de governo, denominado república de governo limitado. Em tal tipo de estrutura governamental, o governo federal deteria mais poderes mas ficaria limitado àqueles enumerados no próprio documento.

Os estadunidenses desconfiavam do acordo, temendo que os funcionários federais, inclusive aqueles democraticamente eleitos, começassem a deter e exercer poderes despóticos. Foi-lhes assegurado que isso não poderia acontecer porque os poderes enumerados na Constituição eram poucos e limitados e não incluíam poderes ditatoriais. Para enfatizar suas preocupações, entretanto, os estadunidenses exigiram a promulgação da Bill of Rights [Carta de Direitos], que expressamente restringia a faculdade de funcionários dos U.S. de exercerem poderes despóticos.

No sistema governamental da fundação dos Estados Unidos não havia Pentágono, complexo militar-industrial, bases militares no estrangeiro, CIA, NSA, golpes, ajuda externa, alianças com regimes ditatoriais, ou invasões e ocupações para mudança de regime. Na verdade, se tivessem dito aos estadunidenses que a Constituição propiciaria a criação dessas coisas, eles teriam rejeitado sumariamente o acordo e continuado a atuar na forma dos Artigos.

República de governo limitado foi o sistema de governo dentro do qual o povo estadunidense atuou/funcionou durante mais de um século. Sim, havia exército básico cujo propósito principal era conduzir guerra aos americanos nativos, mas seu porte era extremamente limitado.

Por que os estadunidenses opunham-se a “standing armies,” [exércitos permanentes] a expressão que usavam para designar organizações grandes e permanentes militares-de inteligência? Porque estavam convencidos de que standing armies inevitavelmente levariam à destruição da liberty(*) e do bem-estar dos cidadãos.

(*) liberty – Diz o Merriam-Webster: FREEDOM tem amplo espectro de aplicação, designando desde total ausência de restrição a meramente sensação de não ser indevidamente tolhido ou frustrado. ‘Freedom de imprensa.’ LIBERTY sugere livramento de restrição ou compulsão anterior. ‘O prisioneiro solto teve dificuldade de ajustar-se a sua nova liberty.’

Apesar da escravatura, da Guerra Mexicana e da Guerra Civil, o povo estadunidense experimentou mais de 100 anos de relativa liberty, paz e prosperidade, em grande parte por não haver grande organização militar-de inteligência que estivesse levando o país à falência por meio de gastos e impostos sempre crescentes e aviltamento da moeda.

A conversão em estado da segurança nacional

A situação mudou depois da Segunda Guerra Mundial, quando o sistema de governo federal dos Estados Unidos foi convertido de república de governo limitado em estado de segurança nacional, tipo de sistema de governo inerente a regimes totalitários. Foi assim que os estadunidenses obtiveram o Pentágono, o complexo militar-industrial, a CIA, e a NSA, órgãos com poderes vastos, onipotentes, sinistros, que acabariam mudando a natureza da sociedade estadunidense.

A base para a conversão foi a ameaça que a União Soviética e o “comunismo sem deus/ateu” pretensamente representavam para os Estados Unidos. Funcionários dos U.S. mantinham que, embora a ameaça nazista estivesse agora superada, o povo estadunidense não poderia descansar porque agora defrontava-se com perigo supostamente maior ainda do que a Alemanha nazista. Ironicamente, a União Soviética havia sido parceira e aliada dos Estados Unidos na guerra à Alemanha nazista.

Visto que a União Soviética e os comunistas detinham poderes onipotentes e não tinham de preocupar-se com limitações constitucionais, funcionários dos U.S. mantinham que a única maneira de os Estados Unidos poderem prevalecer naquela nova “Guerra Fria” seria adotarem o mesmo tipo de estrutura de governo que os soviéticos, consistente em vasta organização militar-de inteligência com poderes onipotentes e sinistros, inclusive o poder de conduzir assassínios patrocinados pelo estado sem interferência judicial.

O Golpe da CIA no Irã

Em 1953, a CIA pôs em ação alguns de seus novos poderes. O democraticamente eleito primeiro-ministro do Irã, homem chamado Mohammad Mossadegh, nacionalizou interesses britânicos em petróleo no país. Os britânicos não tinham como retomar seus campos de petróleo e, assim, recorreram à assistência da CIA.

[Photo]

Para ajudar os britânicos a obterem de volta seus interesses em petróleo, a CIA apresentou seu plano para mudança de regime ao Presidente Truman, que o rejeitou. O Presidente Eisenhower, porém, ao subir ao cargo aprovou o plano, baseado no entendimento da CIA de que Mossadegh estava tendendo para o comunismo e para a União Soviética e, portanto, representava ameaça à “segurança nacional” dos U.S., a principal expressão no léxico de forma de estrutura governamental de estado de segurança nacional.

Exercendo seus novos poderes onipotentes e sinistros, a CIA orquestrou golpe que terminou destruindo o experimento do Irã com a democracia. O golpe removeu Mossadegh do poder e substituiu-o pelo Xá do Irã, um dos mais cruéis e brutais ditadores do mundo. Para assegurar que o Xá não eleito permanecesse no poder pelo resto da vida, a CIA ajudou-o a criar e treinar força policial interna chamada SAVAK, que se especializou nas artes de detenção por tempo indefinido, tortura, opressão e terror patrocinado pelo estado.

Nada daquela tirania importava para o Pentágono e a CIA, contudo. O que importava era que o Xá era “amigo” dos Estados Unidos, que faria o jogo do governo dos U.S. nas Nações Unidas e no tocante a outros assuntos internacionais.

A revolução iraniana

Em 1979, o povo iraniano estava farto daquela tirania, terror e opressão instaurada, treinada e apoiada pelos U.S. Foi quando rebelou-se contra o Xá.

Infelizmente, porém, o povo iraniano não conseguiu restaurar o sistema democraticamente eleito que a CIA havia destruído em 1953. O povo iraniano acabou desembocando numa ditadura teocrática que se revelou tão tirânica quanto a do Xá.

A CIA e o Pentágono nunca perdoraram o povo iraniano pelo que fez. O Xá era “nosso homem no Irã.” Do ponto de vista do estabelecimento/da área de segurança nacional dos U.S., o povo iraniano não tinha autoridade legítima para tirá-lo do cargo.

Assim, desde a revolução iraniana, a CIA e o Pentágono estão firmemente determinados a provocar mudança de regime, nunca perdendo a esperança de reempossar outro Xá no poder no Irã, que seja “amigo” do governo dos U.S.

Na verdade, logo depois da revolução iraniana em 1979 funcionários dos U.S. começaram a apoiar o ditador iraquiano Saddam Hussein em guerra que ele havia iniciado ao Irã. A guerra acabou durando diversos anos, matando incalculável número de iranianos, com total apoio do Pentágono e da CIA.

Ironicamente, o estabelecimento de segurança nacional dos U.S . acabaria voltando-se contra seu parceiro e aliado Saddam Hussein e visando-o para efeito de mudança de regime, o que levaria finalmente a morte, destruição, violência e desordem perpétuas naquele país.

Hoje, cerca de 67 anos depois do golpe da CIA no Irã e cerca de 41 anos depois da revolução iraniana, o ódio que a CIA e o Pentágono devotam ao povo iraniano e a obsessão por mudança de regime continuam inalterados, como refletido pelo recente exercício de um dos poderes sinistros que vieram com a conversão do governo federal em estado de segurança nacional — o poder de conduzir assassínios patrocinados pelo estado de pessoas, tanto estrangeiras quanto do país, quando se presuma representarem ameaça à “segurança nacional.”

A solução 

O pior equívoco que os estadunidenses jamais fizeram foi permitirem que o governo federal se convertesse em estado de segurança nacional. A melhor coisa que os estadunidenses de hoje poderiam fazer seria restaurar república de governo limitado em nossa terra. Como nossos antepassados estadunidenses entenderam tão bem, nação livre, pacífica, próspera e harmoniosa não tem como existir dentro de estrutura de governo em forma de estado de segurança nacional, onde os funcionários do governo detêm e exercem poderes totalitários, sórdidos e sinistros.

Esta afixação foi escrita por: Jacob G. Hornberger

Jacob G. Hornberger is founder and president of The Future of Freedom Foundation. He was born and raised in Laredo, Texas, and received his B.A. in economics from Virginia Military Institute and his law degree from the University of Texas. He was a trial attorney for twelve years in Texas. He also was an adjunct professor at the University of Dallas, where he taught law and economics. In 1987, Mr. Hornberger left the practice of law to become director of programs at the Foundation for Economic Education. He has advanced freedom and free markets on talk-radio stations all across the country as well as on Fox News’ Neil Cavuto and Greta van Susteren shows and he appeared as a regular commentator on Judge Andrew Napolitano’s show Freedom Watch. View these interviews at LewRockwell.com and from Full Context. Send him email.

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