Caitlin Johnstone – The 12 Strongest Arguments That Douma Was A False Flag

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CAITLINJOHNSTONE.COM

ARTICLE DECEMBER 19, 2019

AUTHOR: CAITLIN JOHNSTONE

Os 12 Argumentos Mais Fortes Em Favor De Douma Ter Sido Bandeira Falsa

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Tem havido muitas intervenções militares dos Estados Unidos – US baseadas em mentiras. Isso não é teoria da conspiração. Não é opinião de algum blogador biruta. É fato fartamente documentado e indisputável.

Nunca se fez nada para abordar esse fato fartamente documentado e indisputável. Lei nenhuma foi alterada. Nunca houve tribunais de crimes de guerra. Nenhuma política ou procedimento foi jamais revisado. Nunca ninguém foi sequer demitido. Nenhuma mudança foi implementada para impedir que a tapeação do Iraque fosse impingida de novo e, quando foi impingida de novo, nenhuma mudança foi implementada para impedir que a tapeação da Líbia fosse impingida de novo.

Quando a gente se equivoca, toma providências posteriormente para assegurar que nunca cometa o mesmo equívoco de novo. Quando a gente faz algo de propósito, e pretende fazer de novo, não toma tais providências.

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grande e crescente conjunto de provas de terem-nos sido contadas mentiras acerca da Síria em medida e nível de sofisticação que talvez não tenham precedente historicamente. Aspecto particular do envolvimento militar do império centralizado nos US naquele país, os ataques aéreos de 2018 pela aliança US/Reino Unido-UK/França e o alegado incidente com armas químicas que os precederam têm sido objeto de intenso escrutínio desde quando tiveram lugar. E por boa razão: há muitas peças de evidência a indicar que o incidente em Douma foi encenado para implicar falsamente o governo sírio.

Não afirmo saber exatamente quem poderia ter estado envolvido em tal encenação e em que medida. É tecnicamente impossível, como o Almirante do UK Lord West especulou à época, ter sido perpetrado independentemente pelas forças perniciosas vinculadas à al-Qaeda do Jaysh al-Islam que estavam a ocupar Douma, em última tentativa de provocar reação militar do Ocidente que poderia salvá-las da iminência de derrota nas mãos do Exército Árabe da Síria em avanço. O Jaysh al-Islam tem histórico comprovado de massacrar civis deliberadamente, e de usar civis para obter vantagem militar mediante trancá-los em jaulas nos telhados em locais estratégicos de Douma para impedir ataques aéreos. A atividade organizada de gestão de narrativa conhecida como White Helmets [Elmos Brancos] também poderá ter estado envolvida em alguma medida, e é muito possível que a Arábia Saudita, que apoia o Jaysh al-Islam, também estivesse envolvida.

Qualquer número de outros órgãos de inteligência aliados pode também ter estado envolvido em alguma medida (talvez com o objetivo mais amplo de assegurar continuidade do envolvimento militar dos US na Síria durante administração que de boca se opunha), e não se sabe se quem quer que envolvido tenha tido contato direto com qualquer parte de órgão do governo dos US no tocante a qualquer aspecto. Só sabemos com certeza é que há crescente montanha de evidência de que o governo sírio não esteve envolvido, e isso suscita perguntas extremamente importantes acerca de (A) quem realmente matou aqueles civis em Douma e (B) com que nível de seriedade deveria ser encarada qualquer demanda futura de ação militar oriunda da aliança de poder dos US.

Aludida montanha de evidência inclui os 12 itens seguintes. Tomados individualmente eles são motivo suficiente para ceticismo quanto às narrativas que estão sendo promovidas por governo com histórico conhecido de usar mentiras, propagnda e false flags(*) para promover agendas militares preexistentes. Tomados conjuntamente, e contemplados com honestidade intelectual, são suficientes para destruir completamente a confiança de quem quer que seja no que nos foi dito acerca de Douma.

(*) false flags – False flag [em português bandeira falsa] é ato político ou militar orquestrado de tal maneira que pareça ter sido levado a efeito por parte que não é, na verdade, responsável. Lexico powered by Oxford / No item da Wikipédia em português ‘Atentado do Riocento’ lê-se: ‘O objetivo dos militares com a pichação era atribuir a autoria do atentado à VPR. Seria uma explosão planejada para botar a culpa em esquerdistas, como descreve o ex-delegado da Polícia Civil Cláudio Guerra no livro Memórias de uma Guerra Suja.’

1. Avaliação de Engenharia da OPCW concluiu que os cilindros de gás no local foram colocados manualmente lá.

[Video]

A Organisation for the Prohibition of Chemical Weapons (OPCW) [Organização para Proibição de Armas Químicas] é teoricamente grupo watchdog(*) neutro e internacional dedicado a eliminar o uso de armas químicas em todo o mundo. Em maio deste ano documento interno da OPCW vazado intitulado “Engineering Assessment of Two Cylinders Observed at the Douma Incident” [Avaliação de Engenharia de Dois Cilindros Observados no Incidente de Douma] foi publicado pelo Working Group on Syria, Propaganda and Media [Grupo de Trabalho para Síria, Propaganda e Mídia]. O Engineering Assessment foi assinado por especialista sul-africano em balística chamado Ian Henderson, cujo nome é visto listado em posições/cargos de liderança especializada em documentos da OPCW desde tão remotamente quanto 1998 e tão recentemente quanto 2018, e sua autenticidade foi rapidamente confirmada pela OPCW em declaração enviada a múltiplos jornalistas dizendo que ela estava “conduzindo investigação interna acerca da divulgação não autorizada do documento em questão.”

(*) watchdog – Que serve como guarda ou protetor contra desperdício, prejuízos ou práticas ilegais. Heritage

Henderson conduziu alguns experimentos e não encontrou nenhuma teoria cientificamente fundamentada que explicasse como os cilindros poderiam ter sido lançados verticalmente a partir do ar indo parar na condição e nos locais em que encontrados, concluindo assim que eles haviam sido colocados manualmente no cenário. Isso faz enorme diferença, já que a coalizão de Assad era o único lado que possuía aeronaves e as forças do Jaysh al-Islam eram as únicas em terra.

“As dimensões, características e aparência dos cilindros, e o cenário circunjacente aos incidentes, eram incompatíveis com o que seria de esperar no caso de qualquer dos cilindros ter sido lançado de aeronave,” escreveu Henderson. “Em cada caso a hipótese alternativa foi a única capaz de oferecer explicação plausível para o observado no local.”

“Em suma, observações na cena dos dois locais, juntamente com análise subsequente, sugerem haver probabilidade maior de ambos os cilindros terem sido colocados manualmente naqueles dois locais, em vez de lançados de aeronave,” conclui Henderson.

O que não é de surpreender, visto que a física hipotética da narrativa do lançamento a partir do ar não faz sentido para ninguém que tenha qualquer entendimento de como os objetos materiais se movem. Para explicação simples disso, veja o detalhamento nesta animação de três minutos. Para visão mais aprofundada, confira este longo tópico no Twitter por Stephen McIntyre da Climate Audit.

A existência do relatório de Henderson foi mantida pela OPCW em segredo em relação ao público, o que poderá fazer mais sentido depois de lermos o #2 desta lista.

2. Funcionários dos US teriam pressionado a OPCW para que descobrisse evidência da culpa de Assad.

[Twitter]

Além de quem tenha sido quem vazou o relatório de Henderson em maio, segundo whistleblower(*) de pseudônimo “Alex” surgiu em outubro fazendo apresentação para o grupo de defesa de whistleblowers Courage Foundation [Fundação Coragem] na qual expôs muitas mais incoerências em a narrativa oficial a respeito de Douma. Esse mesmo whistleblower também falou com o jornalista britânico premiado Jonathan Steele, que publicou relato bombshell(**) acerca das revelações de Alex em CounterPunch(***) no mês passado.

(*) whistleblower [denunciante] – Alguém que revela irregularidade/delito/ilícito, especialmente moral ou ético, cometido dentro de organização, ao público ou àqueles em posição de autoridade. Heritage

(**) bombshell – Chocante, surpreendente ou assombroso. Heritage

(***) Conterpunch

https://www.counterpunch.org/

Entre as revelações mais impressionantes do artigo de Steele estava o relato de que funcionários dos US tentaram pressionar inspetores da OPCW durante a elaboração, pela Organização, de seu Relatório Intercalar acerca da investigação de Douma em julho de 2018, e de que tal intercessão fora facilitada por funcionário da OPCW chamado Bob Fairweather.

“Em 4 de julho houve outra intervenção,” escreve Steele. “Fairweather, o chefe de gabinete, convidou diversos membros da equipe de redação para que viessem a seu escritório. Ali eles encontraram três funcionários dos US que foram cursorily(*) apresentados sem que ficasse claro que órgãos dos US eles representavam. Os estadunidenses disseram-lhes enfaticamente que o regime sírio havia conduzido ataque com gás e que os dois cilindros encontrados no telhado e andar superior do edifício continham 170 quilos de cloro. Os inspetores deixaram o gabinete de Fairweather com a sensação de que o convite que permitiu que os estadunidenses falassem com eles era inaceitável pressão e violação dos princípios declarados da OPCW de independência e imparcialidade.”

(*) cursorily – Açodadamente e com pouca atenção para com detalhes. Heritage

Não se sabe que forças em jogo permitiram que o governo dos US se intrometesse numa investigação teoricamente imparcial da OPCW com a ajuda de funcionário da OPCW, mas não teria sido a primeira vez que o governo dos US tangeu a Organização para que facilitasse agendas preexistentes de mudança de regime contra nação desobediente do Oriente Médio. Em 2002 Mother Jones relatou que o governo dos US, tendo à frente John Bolton, usara a ameaça de retirar sua desproporcionalmente alta percentagem de financiamento da Organização se esta não demitisse seu então Diretor-Geral José Bustani. O popular(*) Bustani, que havia anteriormente sido unanimamente reeleito para seu cargo, havia estado a prejudicar a argumentação favorável à guerra com suas bem-sucedidas negociações com o Iraque de Saddam Hussein. Em março de 2018, depois de Bolton ter sido escolhido para ser Conselheiro de Segurança Nacional de Trump, The Intercept revelou que a campanha para derrubar Bustani havia incluído ameaças pessoais de Bolton aos filhos de Bustani.

(*) popular – Pessoa popular é pessoa de quem as outras pessoas gostam e à qual admiram grandemente. Heritage

Bolton atuou nos mais altos níveis da Casa Branca de Trump ao longo da duração inteira da investigação de Douma pela OPCW. Ele foi Conselheiro de Segurança Nacional de Trump de 9 de abril de 2018 a 10 de setembro de 2019. A Fact-Finding Mission [Missão de Descobrimento/Verificação de Fatos] – FFM da OPCW só chegou à Síria em 14 de abril de 2018 e só começou sua investigação em Douma diversos dias depois, com seu relatório final divulgado em março de 2019.

3. Os níveis de produtos químicos orgânicos clorados não indicaram ter sido desfechado qualquer ataque com gás de cloro.

[Video]

“O ponto principal é que o gás de cloro degrada-se rapidamente no ar,” disse Jonathan Steele a Tucker Carlson no mês passado detalhando o que lhe fora dito por Alex. “Em decorrência, chegando duas semanas depois você não encontrará nada. O que descobrirá será que o gás afeta outros produtos químicos no ambiente natural. Os assim chamados produtos químicos orgânicos clorados [COC]. A dificuldade é que eles existem de qualquer forma no ambiente natural e na água. Então o ponto crucial é os níveis: terão sido verificados níveis mais altos de produtos químicos orgânicos clorados depois do ataque, superiores aos que se encontraria no ambiente normal?”

“Quando eles voltaram para a Holanda, para Haia, onde fica a sede da OPCW, foram despachadas amostras para laboratórios selecionados, e em seguida sobreveio estranho silêncio,” continuou Steele. “Ninguém contou aos inspetores qual havia sido o resultado da análise. Só por acaso o inspetor [sic] descobriu antes, por acidente, que os resultados não acusariam qualquer diferença. Não havia níveis mais altos de produtos químicos orgânicos clorados nas áreas em que o ataque alegadamente tivera lugar, onde há cilindros suspeitos encontrados por ativistas da oposição. Assim, não pareceu possível ter havido ataque com gás porque os níveis eram exatamente os mesmos que os do ambiente natural.”

“[Alex] viu os resultados que indicavam que os níveis de COC eram muito mais baixos do que o que teria sido esperado em amostras ambientais,” Steele disse no CounterPunch. “Eram comparáveis e mesmo mais baixos do que aqueles mencionados nas diretrizes da World Health Organisation [Organização Mundial da Saúde] como níveis recomendados permitidos de triclorofenol e outros COC na água potável. A versão retocada do relatório não fez menção a essas findings(*).”

(*) findings – Finding é conclusão a que se chega depois de exame ou investigação. ‘As findings do médico-legista.’ Heritage

“Se elas tivessem sido incluídas, o público teria visto que os níveis de COC encontrados não eram mais altos do que seria de esperar em qualquer ambiente domiciliar”, disse Steele a Alex.

Esse fato inconveniente foi omitido tanto do Relatório Intercalar da OPCW de julho de 2018 quanto do Relatório Final de março de 2019.

4. Muitos dos sinais e sintomas do alegado envenenamento por gás de cloro não eram compatíveis com envenenamento por gás de cloro.

[Twitter]

O Relatório Final da OPCW sobre Douma em março de 2019 assegura-nos que a equipe descobriu “fundamentos razoáveis para a crença de ter sido usado produto químico tóxico como arma. Esse produto tóxico continha cloro reativo. O produto químico tóxico era provavelmente cloro molecular.” Email interno da OPCW vazado, mostrando inspetor levantando objeções ao já mencionado Bob Fairweather a propósito de serem omitidas informações cruciais na elaboração do Relatório Intercalar a respeito de Douma contradiz aquela asseguração, dizendo que os sintomas observados não eram compatíveis com envenenamento por gás de cloro.

“No presente caso a confiança na identificação de cloro ou qualquer outro agente asfixiante é posta em questão precisamente por causa da incompatibilidade com os sintomas relatados e observados,” diz o email. “A incompatilidade não foi notada apenas pela equipe da FFM, pois foi também incisivamente sublinhada por três toxicologistas com especialização em exposição a agentes de CW [Chemical Weapons – Armas Químicas].”

Portanto a equipe de investigação da OPCW, e ainda três toxicologistas, disseram que o que foi observado não se coadunava com sintomas de envenenamento por gás de cloro. Essa informação foi, obviamente, escondida de nós pela OPCW.

Um primeiro rascunho vazado do Relatório Intercalar a respeito de Douma, antes de os funcionários da OPCW começarem a cortar nacos que não se adequassem à narrativa dos US, dá mais detalhe. Eis aqui alguns excertos (ênfases minhas):

“Alguns dos sinais e sintomas, descritos por testemunhas e observados em fotos e gravações de vídeo feitas por testemunhas, das alegadas vítimas não são compatíveis com exposição a agentes asfixiantes ou sanguíneos com conteúdo de cloro tais como gás de cloro, fosgênio ou cloreto de cianogênio. Especificamente, o rápido início de intensa espumação bucal e nasal em muitas das vítimas, bem como a cor das secreções, não são indicativos de intoxicação por citados produtos/agentes químicos.”

“O grande número de pessoas mortas em único local (alegadamente 40 a 45), a maioria das quais vistas em vídeos e fotos espalhadas no assoalho dos apartamentos perto de janelas abertas e a poucos metros de escape para ar não envenenado ou menos tóxico, está em desacordo com intoxicação com agentes asfixiantes ou sanguíneos à base de cloro, mesmo em altas concentrações(*).”

(*) Adiante, o artigo fará referência ao fato de que o gás de cloro em geral leva muito tempo para matar, sendo portanto arma bastante ineficaz.

“A incompatibilidade entre a presença de supositício agente tóxico asfixiante ou sanguíneo com conteúdo de cloro, de um lado, e os depoimentos de alegadas testemunhas e os sintomas observados a partir de gravações de vídeo e fotografias, do outro, não tem como ser racionalizada. A equipe considerou duas explanações possíveis para a incongruência:
a. As vítimas foram expostas a outro agente químico altamente tóxico que teria dado origem aos sintomas observados o qual, até o momento, não foi detectado.
b. As fatalidades resultaram de incidente não relacionado com agentes químicos.”

5. Médico em Douma disse ao jornalista Robert Fisk não ter havido envenenamento por gás.

[Video]

Pouco depois do incidente em Douma vídeo foi circulado online e redistribuído pela mídia noticiosa em todo o mundo mostrando pessoas sendo lavadas com água por meio de mangueira em hospital e petiz/guri recebendo tratamento respiratório. Médico que trabalhava no hospital, Assim Rahaibani, fez o seguinte relato ao jornalista Robert Fisk dias após o incidente, dizendo que as pessoas no vídeo em realidade estavam sofrendo apenas de hipoxia por causa de pó inalado depois de bombardeio convencional:

“Eu estava com minha família na cave de minha casa a trezentos metros daqui naquela noite, mas todos os médicos sabem o que aconteceu. Houve muito shelling(*) [da parte das forças do governo] e havia sempre aeronaves sobre Douma à noite – naquela noite, porém, houve vento e nuvens de poeira começaram a entrar nas caves e subsolos onde pessoas viviam. As pessoas começaram a vir para aqui sofrendo de hipoxia, falta/perda de oxigênio. Então alguém à porta, um ‘White Helmet’ [Elmo Branco], gritou ‘Gás!’, e começou o pânico. As pessoas começaram a jogar água umas nas outras. Sim, o vídeo foi filmado aqui, é genuíno, mas o que você vê é gente sofrendo de hipoxia – não de envenenamento por gás.”

(*) shelling – Fogo pesado de artilharia para saturar área em vez de procurar atingir alvo específico. Fogo de barragem, barragem, bateria. Farlex Thesaurus

Para que ninguém acuse Fisk de ter algum tipo de lealdade especial em relação ao governo sírio, no mesmo relatório ele diz: “é, com efeito, ditadura implacável/impiedosa.”

6. Repórter da BBC disse ter prova de que a cena do hospital foi encenada.

[Twitter]

A BBC, outra instituição que dificilmente poderá ser acusada de lealdade a Assad, viu seu produtor para a Síria Riam Dalati afirmar no início do ano ter prova acima de dúvida de que a cena de hospital acima referida foi encenada. Embora sustentando a linha da instituição de que o ataque aconteceu sim, Dalati expressou incerteza acerca de ter sido usado qualquer agente químico e disse que “tudo o mais em torno do ataque foi fabricado para obtenção de efeito máximo.” Ênfases minhas:

“O ATAQUE ACONTECEU SIM, não foi usado sarin mas teremos de esperar até que a OPCW prove cloro ou o que seja,” Dalati tweeted. Contudo, tudo o mais em torno do ataque foi manufaturado para obtenção de efeito máximo. Depois de quase 6 meses de investigação, tenho como provar sem dúvida que a cena do Hospital de Douma foi encenada.”

“Nenhuma fatalidade ocorreu no hospital,” continuou Dalati. “Todos os White Helmets, ativistas e pessoas com quem falei estão ou em Idlib ou em áreas da Escudo do Eufrates(*). Apenas uma pessoa estava em Damasco. A Rússia e pelo menos um país da OTAN sabiam acerca do que aconteceu no hospital. Documentos foram enviados. Contudo, ninguém sabia o que realmente acontecera nos apartamentos exceto ativistas que manipularam o cenário ali. Eis porque a Rússia concentrou-se em desacreditar unicamente a cena do hospital.”

(*) https://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Escudo_do_Eufrates

Em outras palavras, a Rússia sabia que aqueles “ativistas” estavam armando o cenário para a mídia noticiosa, e compreensivelmente concentrou-se em desacreditar o trabalho deles.

“Posso dizer a vocês que o Jaysh al-Islam governou Douma com punho de ferro,” Dalati acrescentou. “Cooptou ativistas, médicos e obreiros humanitários por meio de medo e intimidação.”

Dalati colocou sua conta em condição de privada por extenso período depois dessas declarações extremamente controversas terem-lhe rendido muita atenção, mas a thread(*)/o tópico está no Twitter a partir deste artigo (eis aqui o arquivo em caso de elas desaparecerem de novo).

(*) thread – Em computação, conjunto de afixações em grupo de notícias, composto de afixação inicial e a sequência de todas as respostas a ela. Heritage

7. Mais evidência de que o cenário em Douma estava sabidamente encenado para a mídia.

[Twitter]

Riam Dalati também tweeted evidência de que, depois do ataque, pessoas arrumaram os cadáveres de duas crianças para fazer parecer que elas haviam morrido abraçadas uma à outra para propósito de manipulação emocional. Se você tiver estômago forte, (estou falando sério, pense bem antes de decidir se isso é algo que você quer ter na sua cabeça antes de ir lá), Stephen McIntyre também compilou alguma prova perturbadora de petizes mortos sendo fisicamente colocados em cima de outros cadáveres no intervalo entre filmagens de vídeo da esteira do incidente em Douma.

Quem quer que estivesse posicionando aqueles corpos para as câmeras claramente nutria intenção de gerar reação emocional do mundo exterior. Que seria precisamente o objetivo de encenar falso ataque com armas químicas.

8. Depoimentos de testemunhas em Haia.

[Twitter]

Dezassete civis sírios, inclusive pessoal da área médica e algumas das “vítimas” vistas nas imagens do hospital acima mencionadas, falaram na sede da OPCW em Haia dizendo não ter acontecido nenhum ataque com armas químicas. O RT relata:

“Havia pessoas que não conhecíamos filmando o atendimento de emergência, filmavam o caos que tinha lugar dentro, e filmavam pessoas sendo ensopadas/encharcadas com água. Os instrumentos que usavam para ensopá-las com água eram originalmente usados na verdade para limpar o piso,” lembrou Ahmad Kashoi, administrador da ala de emergência. “Aquilo aconteceu por cerca de uma hora, proporcionamos ajuda a elas e as despachamos de volta para casa. Ninguém morreu. Ninguém sofreu exposição química.”

O briefing(*) foi boicotado pelos US e 16 de seus aliados e foi smeared(*) como ação russa ardilosa merecedora de condenação moral por veículos de mídia desde Sky News a Al Jazeera a The Guardian a The Intercept, aparentemente por não outra razão senão o fato de aquilo que aqueles sírios estavam dizendo não combinar com as afirmações sem fundamento que estavam sendo promovidas pela classe política/mídia do império centralizado nos US. Se você quiser ouvir exatamente o que os próprios sírios falaram e chegar a suas próprias conclusões, o RT tem uma tradução para o inglês em vídeo aqui:

(*) briefing – Ato ou evento de dar instruções ou informações preparatórias para alguém. Reunião em que tais informações são apresentadas. As informações transmitidas em tal reunião. Heritage

(**) smeared – To smear, verbo, significa enodoar/manchar ou tentar destruir a reputação de alguém. O mesmo que vilify. Vilify significa difamar aberta, deliberada e cruelmente. Heritage

[Video]

9. O primeiro Diretor-Geral da OPCW considera as gritantes irregularidades e omissões do relatório da OPCW a respeito de Douma “extremamente inquietantes”.

Depois da já mencionada apresentação de Alex à Courage Foundation em outubro passado, o já mencionado Diretor-Geral da OPCW José Bustani (o tal de quem John Bolton ameaçou os filhos) teve o seguinte a dizer:

“A evidência convincente de comportamento irregular na investigação, pela OPCW, do alegado ataque químico em Douma confirma dúvidas e suspeitas que eu já tinha. O que eu lia na imprensa internacional não fazia sentido. Até relatórios oficiais a respeito das investigações eram, na melhor das hipóteses, incoerentes. O quadro está certamente mais claro agora, embora seja extremamente inquietante” 

“Sempre nutri a expectativa de que a OPCW fosse autêntico paradigma de multilateralismo. Minha esperança é que as preocupações expressadas publicamente pelo Painel, em sua declaração conjunta de consenso, catalise processo por meio do qual a Organização possa ser ressuscitada para tornar-se a entidade independente e não discriminante que era no passado.”

10. Este repórter da rede One America News – OAN literalmente sai a andar pela rua perguntando às pessoas em Douma o que elas viram.

[Video]

11. O Professor Emérito do Massachusetts Institute of Technology – MIT Theodore Postol fala a respeito das incoerências de narrativa e irregularidades no protocolo científico da investigação em Douma.

[Video]

12. Common sense(*): Assad nada teria a ganhar com desfechar ataque químico, enquanto os combatentes do Jaysh al-Islam teriam tudo a ganhar com encenar tal tipo de ataque.

(*) common sense – Juízo baseado em raciocínio válido e não baseado em conhecimento especializado. Heritage

Esse foi o motivo inicial de as pessoas que raciocinam criticamente mostrarem-se tão céticas no tocante à narrativa do establishment(*) a respeito de Douma: desde o início, a narrativa não fazia absolutamente nenhum sentido.

(*) establishment – Grupo de pessoas que detém a maior parte do poder e influência em governo ou sociedade. Heritage

Clique neste hyperlink para ler artigo da BBC datado de cinco dias antes do incidente em Douma, descrevendo como o governo sírio “parece estar a ponto de recuperar o controle” da cidadezinha e como os combatentes do Jaysh al-Islam já estavam em processo de evacuação. A batalha estava decidida. Assad não teria absolutamente nada a ganhar com provocar retaliação das potências ocidentais (que poderia ter sido muito mais severa do que acabou sendo) só para lançar dois cilindros de gás de cloro, que por falar nisso é arma muito ineficaz que geralmente leva muito tempo para matar.

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O Jaysh al-Islam (e quem mais com quem ele estivesse obrando), por outro lado, teria tudo a ganhar com o assassínio de alguns dos civis que tinham estado a manter cativos na cidadezinha que havia invadido na esperança de que as forças do Ocidente se tornassem sua força aérea por algum tempo impedindo que o Exército Árabe da Síria retomasse Douma.

“Por que Assad usaria armas químicas numa hora dessas? Ele já ganhou a guerra,” disse ao The Mail on Sunday, na ocasião, o Major General Jonathan Shaw. “Isso não é apenas minha opinião, é opinião compartilhada em meio a comandantes senior(*) da instituição militar dos US. Não há qualquer rationale(**), absoluto, a justificar o envolvimento de Assad. Ele acaba de convencer os rebeldes a irem-se embora das áreas ocupadas em ônibus. Tomou o território deles. Então por que lançar-se à obra de gaseá-los?”

(*) senior – De cargo, nível ou categoria superior a outros do mesmo conjunto ou classe. ‘Oficial senior.’ ‘O navio senior do grupo de batalha.’ Heritage

(**) rationale – As razões fundamentais para algo; a base. ‘A rationale para lançar a bomba atômica.’ Heritage

“Os jihadistas e os diversos grupos de oposição que têm estado a lutar contra Assad têm muito maior motivação para desfechar ataque com armas químicas e fazer parecer que Assad foi o responsável,” acrescentou o ex-comandante do Special Air Service -SAS [Serviço Aéreo Especial] e do Parachute Regiment [Regimento de Pára-quedistas]. “A motivação deles é manter os estadunidenses envolvidos na guerra – depois de Trump dizer que os US deixariam que o problema da Síria fosse resolvido por outras pessoas.”

[Video]

O Almirante Lord West fez comentários similares na BBC em torno da mesma época, levando a apresentadora da BBC Annita McVeigh a entrar em modo frenético de gestão de narrativa sugerindo que ele estava “turvando as águas” durante “guerra de informação com a Rússia”.

“O Presidente Assad está em vias de ganhar essa guerra civil, e estava prestes a tomar Douma, toda aquela área,” disse West. “Ele teve uma longa, longa, longa slog(*) capturando vagarosamente aquela área da cidade, e eis senão quando ele entra e domina, aparentemente resolve desfechar ataque químico. Simplesmente não soa verdadeiro. Parece extraordinário, porque claramente ele saberia ser provável reação dos aliados. Que benefício haveria nisso para a instituição militar dele? A maioria dos combatentes rebeldes, aquele grupo díspar de islamistas, já se havia retirado, haviam ficado algumas mulheres e crianças. Que benefício haveria, militarmente falando, em fazer o que ele fez? Acho isso fora do comum.”

(*) slog – Longa marcha ou caminhada exaustiva. ‘Slog através de milhas de matagal.’ Heritage

“Embora saibamos que no passado alguns dos grupos islâmicos usaram produtos químicos, obviamente haveria enorme benefício se o ataque fosse rotulado como proveniente de Assad, porque eles perceberam muito corretamente que haveria reação dos US como houve da última vez, e possivelmente de UK e França,” acrescentou West.

“Se eu estivesse aconselhando/assessorando alguns dos grupos islamistas, muitos dos quais são piores do que o Daesh,” disse West, “eu diria olhem, temos de esperar até que ocorra outro ataque pelas forças de Assad, particularmente se elas usarem helicóptero ou algo da espécie e lançarem bombas de barril(*),  e explodiremos algum cloro. Porque assim provocaremos o próximo ataque dos aliados. E não há dúvida de que se acreditarmos que ele desfechou ataque químico faremos isso. E tais ataques se tornarão maiores, e essa é a única maneira, na verdade, pela qual poderemos impedir a inevitável vitória de Assad.”

(*) https://pt.wikipedia.org/wiki/Bomba_de_barril

Quem diz isso não é algum simpatizante de Assad ou asset(*) do Kremlin. Não é uma penca de anti-imperialistas hippie dippie(**). São homens de vida inteira na instituição militar, que pensam em termos militares, descrevendo o que estão vendo. E o que estão vendo é a false flag que a coisa é.

(*) asset – Espião que atua em seu próprio país e é controlado por potência estrangeira ou inimigo. Heritage

(**) hippie dippie – O singular hippy-dippy é adjetivo que qualifica quem rejeita práticas ou comportamentos convencionais de maneira percebida como vaga e malpensada ou insensatamente idealista. ‘Experimentos hippy-dippy em partos alternativos.’ Lexico

[Twitter]

E neste ponto estamos. Os US ainda ocupam ilegalmente a Síria a despeito do palanfrório repetitivo de Trump acerca de saírem, e aquelas crianças ainda estão mortas.

Não se trata de alguma questão filosófica ociosa. Pessoas morreram. Crime maciço de guerra ocorreu e quantos minutos mais transcorrerem antes que deflagrada investigação legítima – desta vez com plena transparência e prestação de contas/responsabilização – menos evidência disponível existirá. Eis porque os gestores do establishment da narrativa a respeito da Síria tornam-se escorregadios/evasivos à toda quando lhes é perguntado se eles apoiam investigação criminal completa do que aconteceu. Eles realmente não acreditam que tal investigação evolua favoravelmente para eles, e estão certos.

Entrementes a ocupação ilegal da Síria se arrasta, talvez até Trump ser substituído por fantoche mais cordato, e estamos basicamente sentados à espera de sermos engrupidos de novo.

Isso não pode continuar. É imprescindível que isso não continue.

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